BRASÍLIA. Certos de que a guerra estava ganha, e vencidos pelo cansaço de mais de 33 horas de sessão, dezenas de deputados da base abandonaram a sessão de votação da MP dos Portos assim que terminou a apreciação do último destaque. Mas na votação da redação final a oposição ganhou novo fôlego e passou a usar todos os instrumentos de protelação. Com sucessivos pedidos de verificação de quórum e encerramento das sessões, muitos dos deputados, que já estavam em casa dormindo, foram tirados da cama para voltar ao plenário para atingir o quórum minimo de 257. Do contrário a sessão cairia sem a conclusão da MP 595 a tempo de seguir para o plenário.
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Muitos, como o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), chegaram correndo e irritados. Outros, bem humorados, mas com os olhos inchados e avermelhados do sono interrompido.
- Eu já estava de pijaminha e fui convocado no leito. Sai correndo sem cinto e sem gravata - contou o deputado Luciano de Castro (PR-RR).
Já no sono solto, em casa, o deputado Jerônimo Goerguen (PP-RS) foi acordado pelo líder Artur Lira (AL) para voltar correndo para dar número no plenário. Ele atendeu à convocação, mas criticou a condução feita pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que não teria tido pulso para impedir as novas manobras da Oposição.
- O Henrique criou um clima de fim de baile, mas ainda tinha essa porcaria da redação final. Bah! Estava estourado de cansaço tchê! Votei a última emenda e fui dormir e fui acordado pelo meu líder dizendo que tinha que voltar senão ia cair tudo - contou Goergen.
Uns chegaram comendo amendoim e de banho tomado, para conseguir acordar. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça Décio (PT-SC) disse que só saiu para tomar um “bainho”.
- Fui em casa tomar um bainho porque não estava me aguentando mais. Aqui é um susto de cinco em cinco minutos _ disse o petista ao chegar ao Congresso.
Flagrado na chegada com o paletó nos braços e comendo um pacote de balas, Bernardo Santana (PR-MG) foi chamado em casa também por colegas do partido. E reclamou da jornada exaustiva de votações da MP dos Portos.
- Isso é trabalho escravo! É desumano! Fiquei sem dormir ontem até as cinco da manhã e agora já estava dormindo quando o Chinaglia me acordou chamando para vir marcar presença - disse Bernardo Santana.
João Paulo Cunha chegou correndo, marcou presença para dar o quórum e imediatamente voltou para casa, antes do fim da votação.
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